O petróleo bruto exportado pelo Brasil à Coreia do Sul atingiu US$ 0,70/kg em abr/2026, igualando a máxima histórica estabelecida em jan/2025 no corredor
O petróleo bruto exportado pelo Brasil à Coreia do Sul alcançou US$ 0,70/kg em abril de 2026 — igualando o recorde histórico registrado em janeiro de 2025. O marco não é de explosão de preço, mas de persistência: manter a máxima histórica por mais de um ano consecutivo em um corredor bilateral é sinal de posicionamento estratégico, não evento pontual.
Para commodities energéticas, atingir um pico de preço é relativamente comum em janelas de volatilidade. Mantê-lo é outra história. O fato de que o preço médio de US$ 0,70/kg no corredor Brasil–Coreia do Sul se repetiu no início de 2026, após ter sido o teto em janeiro de 2025, indica que essa referência de preço está sendo aceita pelo comprador sul-coreano como patamar estrutural, não concessão emergencial.
Refinadoras sul-coreanas — como SK Innovation e S-Oil — operam com contratos de longo prazo para petróleo bruto leve e de baixo enxofre. O petróleo do pré-sal brasileiro, com suas características de densidade e teor de enxofre, passou a ocupar uma posição específica na cesta de insumos dessas refinadoras, o que reduz a elasticidade de preço do corredor.
O benchmark de US$ 0,70/kg reflete a combinação de fatores estruturais. O pré-sal brasileiro tem características físico-químicas que geram prêmio frente ao Brent em algumas refinarias asiáticas configuradas para esse perfil de crude. Além disso, a logística Brasil–Coreia do Sul, com transit time de 25-30 dias, é competitiva frente ao Oriente Médio para algumas refinadoras que operam com estoques just-in-time.
O preço de US$ 0,70/kg equivale, em barris, a aproximadamente US$ 70-72/bbl dependendo da densidade. Esse número está em linha com o preço médio do Brent no período — o que indica que o mercado coreano não está pagando prêmio adicional, mas também não está impondo desconto. É o preço justo de mercado sustentado.
Num cenário de incerteza sobre trajetória dos preços do petróleo — com pressão baixista de produção americana e pressão altista de cortes da OPEP+ — manter a máxima histórica de preço num corredor estabelecido sinaliza que a demanda sul-coreana segue firme e que o Brasil está conseguindo repor o preço de referência sem resistência do comprador.
O corredor Brasil–Coreia do Sul para petróleo bruto é menor em volume que o corredor Brasil–China, mas tem relevância estratégica pela natureza dos contratos e pelo perfil do comprador: refinadoras industriais com baixa elasticidade de demanda no curto prazo.
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