Brasil importou 124.393 toneladas de celulose química argentina em 2025, superando em 42% a média histórica e registrando o maior volume da série.
O Brasil encerrou 2025 com 124.393 toneladas de celulose química importadas da Argentina — um salto de +41,6% sobre a média histórica plurianual de 87.836 toneladas. A marca coloca o corredor bilateral no patamar mais alto já registrado pelo MDIC ComexStat para esse par de países e produto.
A Argentina historicamente exporta celulose química de fibra curta e longa produzida em suas plantas do nordeste do país, especialmente na província de Misiones — geograficamente próxima ao Sul do Brasil. A logística terrestre reduz o frete em relação a fornecedores europeus ou asiáticos, o que tipicamente favorece o abastecimento argentino quando a demanda brasileira cresce.
O câmbio também pode ter contribuído. A desvalorização do peso argentino ao longo de 2024 e 2025 reduziu o custo de produção em dólares das fábricas argentinas, tornando sua celulose mais competitiva para compradores brasileiros. Esse diferencial cambial é um driver recorrente no comércio bilateral de insumos industriais.
O setor de celulose e papel no Brasil opera com uma estrutura dual: grandes players integrados (como Suzano e Klabin) abastecem seu próprio processo, enquanto convertedores menores compram celulose no mercado spot — e é esse segmento que tipicamente recorre à oferta argentina para lotes menores e entregas rápidas.
A demanda por embalagens de papelão cresceu no Brasil ao longo de 2025, puxada pelo e-commerce e pela indústria alimentícia. Esse movimento eleva a pressão por celulose de fibra curta, exatamente o tipo que a Argentina fornece com maior frequência. Como mostramos anteriormente, o Canadá também multiplicou suas compras de celulose brasileira, sinal de que o mercado global de celulose esteve aquecido em ambas as direções.
O aumento de 42% num único ano eleva a dependência do Brasil em relação a um fornecedor sujeito a instabilidade cambial e regulatória. A Argentina tem um histórico de controles de exportação em momentos de crise fiscal — o que pode interromper fluxos de forma abrupta. Compradores que expandiram contratos com fornecedores argentinos em 2025 devem mapear alternativas de curto prazo no Chile e no Uruguai.
Não há dado YTD disponível para 2026 nesse corredor, o que limita a leitura sobre a sustentabilidade do movimento. O fechamento de 2025 pode refletir tanto um novo patamar estrutural quanto uma concentração pontual de pedidos num único trimestre.
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